domingo, 22 de abril de 2012

Conversas com historiadores: José Adilson Filho

Saudações, caros! O blog do VI Simpósio Nacional de História Cultural retoma a regularidade de suas postagens dialogando com o Prof. Dr. José Adilson Filho (FAFICA), que, em parceria com o Prof. Dr. Jailson Pereira da Silva (UFC), coordenará o ST "Imagens, Representações e Identidades: uma Visada Interdisciplinar". Professor, você pode nos dizer o que o despertou para o estudo do passado e como essa trajetória lhe levou a pesquisar sua área de interesse proposta pelo seu simpósio temático? Minha caminhada pelas trilhas do saber histórico foi muito influenciada pela leitura do marxismo, pela militância política no partido dos trabalhadores e, sobretudo, por uma sensibilidade aguçada no que tange as questões sociais. Certamente esta perspectiva política constituiu-se num fator determinante na maneira como fiz a minha primeira inserção e leitura do passado. Contudo, trata-se de um momento específico desta trajetória, mas que não abandonei completamente, uma vez que continua ainda colorindo meus ideais humanistas. A sedução pela Historia Cultural decorre do fato de perceber que as relações de poder são cada vez mais forjadas por dispositivos que se alimentam de elementos do imaginário social, simbólicos, enfim, culturais. E que não podem ser vistos como um devir menor, algo secundário. Acho que uma interpretação do passado e, no meu caso, do passado mais contemporâneo não pode se fixar apenas nas relações de produção da vida e nos conflitos que daí é derivado. Precisamos também perceber como tais relações e conflitos deslocam-se ou acontecem na esfera das representações, da produção e do consumo de sentidos. Todavia, creio, que podemos criativamente conciliar as duas perspectivas. Não precisamos dicotomizar mais a realidade em díades do tipo material versus simbólico, macro versus micro, estrutura versus individuo. A Leitura de autores diferentes do nosso campo, talvez, seja a razão da proposta deste Simpósio temático. A interdisciplinaridade não apenas nos permite ampliar os horizontes historiográficos, ou seja, tomá-los emprestados como também a desenvolver afinidades eletivas e de alteridade com as outras ciências humanas. Como o senhor vê o contexto de pesquisas atuais (especialmente os projetos de iniciação científica e os desenvolvidos no âmbito dos programas de pós-graduação) na temática com a qual trabalha, e na qual está centrada seu simpósio temático? Embora não seja professor de uma universidade, pois leciono em duas faculdades do agreste pernambucano, vejo a pesquisa na iniciação cientifica como algo extremamente positiva, o que tem sido refletido na boa qualidade das pesquisas em nível de pós-graduação. A pesquisa no campo historico brasileiro, parece-me que não deixa muito a desejar ao que acontece noutros países mais avançados. Atualizamos e sofisticamos a nossa produção historiográfica. Acho que a produção no campo da Historia cultural não deve ser vista como um modismo passageiro, nem assumir ares de intolerância ou de grandeza para com outras vertentes. A nossa proposta ficou eclética, na verdade, queremos discutir como a conversa interdisciplinar ajuda-nos a enxergar melhor o passado e, ao mesmo tempo, nos permite perceber os limites e possibilidades teóricas e metodológicas. Acho que os historiadores brasileiros estão atentos a isso tudo. Lucien Fevbre já havia nos alertado há muito tempo.