quinta-feira, 29 de março de 2012

Conversas com historiadores: Daniel Camurça Correia

Tendo em vista a multiplicidade de leituras a respeito da escravidão nos períodos colonial e imperial do Brasil, o simpósio temático "Tensão, sociabilidade e trabalho no mundo escravo", coordenado pelo Prof. Dr. Daniel Camurça Correia, da Universidade Cruzeiro do Sul (SP), visa uma apropriação desta perspectiva por diversas vertentes historiográficas. Nesse sentido, conversamos com o Prof. Daniel, que nos relata um pouco de sua trajetória acadêmica, e detalha a respeito da proposta do simpósio.

Professor, você pode nos dizer o que o despertou para o estudo do passado, e como essa trajetória lhe levou a pesquisar sua área de interesse proposta pelo seu simpósio temático?

Pensar o passado sempre foi uma preocupação que carreguei desde minha infância. Seja nas aulas de história, ou na forma que eu notava o jeito das pessoas – o que mais tarde passei a entender como cultura – observei que existia uma razão para fazerem o que faziam, e daquela forma. No curso de História da Universidade Federal do Ceará estudei as condições sociais e históricas que respondiam a estas preocupações. Observei, então, que a dimensão do passado era viva, plural, contraditória e receptiva as perguntas que poderia fazer, diante da necessidade de entender as condições do próprio passado – principalmente tendendo a elaborar perguntas referentes às famílias escravas no sul de Minas Gerais.
As preocupações com o passado escravocrata brasileiro me trouxeram uma série de dúvidas, questionamentos e reflexões acerca daqueles homens e mulheres que viveram, amaram, casaram e constituíram famílias, a despeito de seus senhores, dos párocos, ou de seus próprios familiares. Somente com um olhar crítico sobre as ações, mas principalmente, sobre os discursos elaborados nas documentações cartoriais, por exemplo, é que poderemos entender como o passado foi vivenciado, operado por homens e mulheres negros que lutaram dia a dia para sua sobrevivência.

Como você vê o contexto de pesquisas atuais (especialmente os projetos de iniciação científica e os desenvolvidos no âmbito dos programas de pós-graduação) na temática com a qual trabalha, e na qual está centrada seu simpósio temático?

De forma instigante. A cada ano que passa novas preocupações ganham visibilidade para os novos estudantes. O questionamento referente à produção atual é viva e contagiante. Isso faz com que novas e velhas documentações sejam (re)visitadas pelos pesquisadores, para que as questões elaboradas no século XXI estejam presentes nas análises documentais. Acredito que isso mantenha viva e constante a disciplina da história, pois ao se refazer, mediante as novas pesquisas, também abre precedente para manter-se não só atualizada, mas dinâmica diante das preocupações dos historiadores.

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