sábado, 24 de março de 2012

Conversas com historiadores: Marcos Silva



Marcos Antonio da Silva é professor titular de Metodologia da História na FFLCH/USP, autor, dentre outros livros, de "Rimbaud etc. - História e Poesia" (Hucitec,2011), "Ensinar História no século XXI" (Papyrus, 2008 - em parceria com Selva Guimarães Fonseca) e "Metamorfoses das linguagens - Histórias, cinemas, literaturas" (LCTE, 2009 - organizador e co-autor, em parceria com Júlio Pimentel e Maurício Cardoso). No VI Simpósio Nacional de História Cultural, coordenará, em parceria com o Prof. Dr. Jorge Luiz Bezerra Nóvoa (UFBA), o ST "Cinema, Cultura e Sociedade: imagens, sons, sentimentos e razão para o conhecimento da realidade".

Professor(a), você pode nos dizer o que o despertou para o estudo do passado, e como essa trajetória lhe levou a pesquisar sua área de interesse proposta pelo seu simpósio temático?

Na infância, vivi em família muito pobre. Meu pai tinha interesse por revistas gerais, como "O Cruzeiro", e histórias em quadrinhos diversificadas, incluindo séries que adaptavam romances brasileiros e estrangeiros. Penso que essas leituras despertaram minha atenção para sociedades e épocas diferentes da minha.
Na adolescência, li alguns dos romances que conheci através de quadrinhos e mais outros, fonte também importante para pensar sobre a vida social. Destaco, nessa época, o contato com os escritos de Balzac, Zola, Machado de Assis, Lima Barreto e Jorge Amado, dentre outros.
No fim da adolescência, tive interesse por artes visuais, frequentei cursos livres e participei de algumas exposições na área. A História da Arte, então, foi minha principal porta de entrada para o conhecimento histórico mais complexo. Isso incluía, junto com Artes Visuais, Cinema e Literatura.

Como o(a) Sr(a) vê o contexto de pesquisas atuais (especialmente os projetos de iniciação científica e os desenvolvidos no âmbito dos programas de pós-graduação) na temática com a qual trabalha, e na qual está centrada seu simpósio temático?

Desde Mestrado (passando por Doutorado e Livre-Docência), pesquisei Caricaturas e Quadrinhos, que considero partes do imaginário artístico. Mais recentemente (do final dos anos 90 para cá), passei a trabalhar mais sistematicamente também Literatura e Cinema.
Os debates da Nova História Francesa sobre Imaginários e Linguagens contribuíram para uma maior consolidação dessas áreas no campo da pesquisa histórica, situação muito diferente da época em que fiz graduação, quando alguns docentes encaminhavam jovens talentosos que queriam pesquisar materiais daquela natureza para a ECA e outros centros de estudos de comunicações e artes, como se Linguagens e Imaginários não dissessem respeito à pesquisa histórica.
Certamente, esse quadro mudou, hoje é muito mais frequente a defesa de Mestrados e Doutorados nessas áreas temáticas e documentais. Penso que falta um passo no sentido de consolidar essas problemáticas como de interesse para todo e qualquer historiador, não apenas para os especialistas nelas. Um indício dessa fragilidade na consolidação das mesmas é que História da Arte, quase sempre, aparece como disciplina optativa na formação dos profissionais de História.

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